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Como Fazer o DRE de um Restaurante, com Modelo e Exemplo

6 min de leitura

Dono de restaurante analisando os números do mês

Faturar bem e ter dinheiro sobrando são coisas diferentes. No Doca BBQ, teve mês de casa cheia em que eu fechava o caixa animado e, no fim do mês, a conta não fechava. O que me faltava não era venda. Era saber, linha por linha, para onde o dinheiro estava indo.

É isso que o DRE mostra. Neste guia você vai ver o que é o DRE, como montar o do seu restaurante, um exemplo completo com números e como ler o resultado para decidir o que mudar.

O que é DRE

DRE é a sigla de Demonstrativo do Resultado do Exercício. Na prática, é o relatório que responde à pergunta mais importante do restaurante: no fim do mês, sobrou ou faltou?

Ele começa no faturamento e vai descontando os custos e despesas em uma ordem fixa, até chegar ao lucro líquido. Cada linha mostra um pedaço da operação: quanto foi de imposto, quanto foi de ingrediente, quanto ficou com o iFood, quanto custou a equipe.

A estrutura do DRE do restaurante

O DRE gerencial de um restaurante segue esta ordem:

  1. Receita bruta: tudo o que você vendeu no mês, por canal (salão, balcão, delivery próprio, aplicativos), mais a taxa de entrega cobrada do cliente.
  2. (−) Impostos sobre a venda: no Simples Nacional, o DAS do mês. O que sobra é a receita líquida.
  3. (−) CMV, perdas e cortesias: o custo dos ingredientes consumidos nas vendas e o que saiu da cozinha sem virar venda. O que sobra é o lucro bruto.
  4. (−) Custos variáveis: os que sobem e descem junto com a venda: taxas de cartão, comissão de aplicativo, embalagens e entregadores. O que sobra é a margem de contribuição.
  5. (−) Despesas fixas: as que existem mesmo num mês fraco: equipe, pró-labore, aluguel, energia, gás, contador, sistemas, marketing. O que sobra é o resultado operacional.
  6. (−) Despesas financeiras e (+) receitas não operacionais: juros de empréstimos e tarifas, de um lado; receitas fora da operação, do outro.
  7. = Lucro líquido: o que de fato sobrou no mês.

Cada degrau responde uma pergunta. O lucro bruto diz se o cardápio está bem precificado. A margem de contribuição diz quanto cada venda deixa para pagar a estrutura. O resultado operacional diz se a operação se paga. O lucro líquido diz se o negócio, com as dívidas, se sustenta.

Exemplo de DRE de restaurante

Um restaurante com salão, balcão e delivery, faturando R$ 110 mil por mês, no Simples Nacional:

Linha Valor % do faturamento
Receita bruta R$ 110.000 100%
Salão R$ 48.000
Balcão e retirada R$ 12.000
Delivery próprio R$ 22.000
iFood R$ 25.000
Taxa de entrega R$ 3.000
(−) Impostos sobre a venda (DAS) R$ 7.700 7,0%
Receita líquida R$ 102.300 93,0%
(−) CMV R$ 34.000 30,9%
(−) Perdas e cortesias R$ 1.500 1,4%
Lucro bruto R$ 66.800 60,7%
(−) Taxas de cartão R$ 2.400
(−) Comissão do iFood R$ 6.000
(−) Embalagens R$ 2.200
(−) Entregadores R$ 3.500
Margem de contribuição R$ 52.700 47,9%
(−) Pessoal (salários, encargos, extras e pró-labore) R$ 30.500 27,7%
(−) Aluguel R$ 8.000
(−) Energia, água e gás R$ 4.200
(−) Demais fixas (contador, sistemas, marketing, manutenção) R$ 5.300
Resultado operacional (EBITDA) R$ 4.700 4,3%
(−) Juros de empréstimo R$ 900 0,8%
Lucro líquido R$ 3.800 3,5%

O restaurante vende R$ 110 mil e sobra R$ 3,8 mil. Ele não está no prejuízo, mas está a um mês ruim disso.

E tem um detalhe que o DRE ajuda a enxergar. Se, além do pró-labore, o dono fizer uma retirada de R$ 5 mil, o negócio perde R$ 1,2 mil naquele mês. Retirada não entra no DRE, porque não é custo da operação, mas precisa caber no lucro. Quando a retirada passa do lucro, o caixa paga a diferença.

Como ler o DRE do restaurante

O DRE mostra onde agir. No exemplo:

  • CMV de 30,9%: está dentro da faixa comum, mas cada ponto pesa. Baixar 2 pontos, com ficha técnica atualizada e porções padronizadas, são R$ 2,2 mil a mais por mês. O lucro sobe 58%.
  • iFood: representa 23% da venda e deixa R$ 6 mil de comissão. Trazer parte desses clientes para o delivery próprio é dinheiro direto no resultado.
  • Pessoal em 27,7%: está numa faixa comum para restaurante. Aqui o caminho costuma ser escala e produtividade, não corte.
  • Margem de contribuição de 47,9%: de cada R$ 100 vendidos, sobram R$ 47,90 para pagar a estrutura. Com R$ 48,9 mil de fixas e juros, o restaurante precisa vender cerca de R$ 102 mil só para empatar. Esse é o ponto de equilíbrio, e ele mostra que a folga do mês é pequena.

Calculadora de ponto de equilíbrio

Informe as despesas fixas do mês.

Informe de 1 a 31 dias.

Informe um percentual de 0 a 100.

Informe um percentual de 0 a 100.

Informe um percentual de 0 a 100.

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Os erros mais comuns no DRE de restaurante

  1. Usar as compras do mês como CMV. Comprou muito num mês e pouco no outro? O DRE oscila sem motivo. CMV é o que foi consumido, não o que foi comprado.
  2. Lançar empréstimo como receita. Dinheiro emprestado entra no caixa, mas não é venda. No DRE, só os juros aparecem, como despesa financeira.
  3. Misturar retirada com despesa. A retirada do sócio sai do lucro, não da operação. Se ela entra como despesa, o restaurante parece pior do que é.
  4. Esquecer a taxa de cartão e a comissão do aplicativo. Elas somem do valor recebido sem passar pelo caixa, e por isso ficam fora da conta.
  5. Juntar todo o pessoal numa linha só. Separar salários, extras e pró-labore mostra se o problema é a equipe fixa, o freelancer do fim de semana ou a retirada do dono.
  6. Lançar o DAS no mês em que foi pago. O imposto pago em outubro é das vendas de setembro. No DRE, ele pertence ao mês das vendas.

Perguntas frequentes

O que é DRE de restaurante?

É o Demonstrativo do Resultado do Exercício: o relatório que parte do faturamento e desconta impostos, CMV, custos variáveis, despesas fixas e juros para mostrar o lucro ou prejuízo do mês.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

O DRE mostra o resultado do mês, pela data em que a venda e a despesa aconteceram. O fluxo de caixa mostra a entrada e a saída de dinheiro, pela data em que o dinheiro se movimentou. Um empréstimo, por exemplo, entra no caixa, mas não é receita no DRE.

Qual é um bom lucro líquido para restaurante?

Muitos restaurantes saudáveis trabalham com lucro líquido entre 10% e 15% do faturamento. O número certo depende do tipo de operação, do aluguel e dos canais de venda.

Pró-labore entra no DRE?

Sim. O pró-labore é a remuneração do sócio que trabalha no restaurante e entra como despesa de pessoal. A retirada de lucro, além do pró-labore, não entra: ela sai do lucro que sobrou.

Com que frequência devo fazer o DRE?

Uma vez por mês, no mínimo. O ideal é acompanhar durante o mês, para corrigir o rumo antes de o mês acabar.

Como o BOK ajuda

No BOK, o DRE se monta sozinho. As vendas do PDV, do salão e do cardápio online entram por canal; o CMV vem das fichas técnicas; taxas de cartão, embalagens e comissões são calculadas a cada venda; e as despesas lançadas no Financeiro caem na linha certa. Você acompanha o lucro do mês todo dia, não só no fechamento, e vê quanto foi retirado e quanto ficou no negócio.

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